Feito a caça
O que quer que vos faça,
Quanto à cachaça?
Exu foi contratado
Caboclo sabe assoviar
Nada estava errado
Até a mesa virar
Certo é o que digo
Sei o que preciso
Em frente
Irei buscar
Buscado este 'estado'
D'espirito ou d'consciência
Até que seja atendido
O quanto antes,
A preferência
DESCARREGO
Caminhando
ao descarrego
desfumo
e desbebo
desmonto
e desvelo
destrato
e desmancho
o novo
e o velho
Recriado espelho
na terra escrevo
no ar recito
no céu, escrito
o texto
Pretexto que diz
ao mestre e aprendiz
Ao mago iniciado
o mundo encantado
CAVALEIRO JUSTO
Montado sobre ninguém
Desconheço nenhum
Embora somos um
O preto no branco
é cinza
Ao Zero
o ferro relincha
Ao Mago
o machado uiva
Ao Mestre
o texto ruge
a pura seiva
Ao Deus d'Guerra
Os trabalhos na Terra
Eu Sou está conosco
Face a face, no rosto
ou no olhar
À fé
A gente é
Axé
DESTALHO
Ao trabalho
ou retalho?
Corra
ou morra
no talho
A fumaça
é trapaça
que está no baralho
Caralho?
Cascalho?
Alho ao vampirismo
Ao confucionismo
Ao ficcionismo
Ao fetichismo
Estamos aqui
no mar das ideias
sangue nos olhos
éter nas veias
Quando baixa o velho
A velha banda aparece
Como entidade terrena
A ouvir o mestre dizer
'O Novo Sou Eu'
Tal como pensar diferente
Para evitar julgar-se igual
Ao oposto
Ao contrário
Nem o mesmo
Ou o tal
Dia a dia, com certeza
Ano a ano, vira a mesa
Acabou
Este é o início
Como ciclo
Sazonal
Elipses
Na espiral
Sempre em frente
Toda a vida
Chegada
E despedida
Juntos
Um só
Como o filho que tornou-se pai
Já agora
Irmão lobo
Cá estamos
Porta a dentro
Neste encantado
Momento
Sem entrada
Sem saída
Na jornada
A vida
Na magia
O axé
Mais em conta?
Não tem preço?
O quanto antes?
Diria o lobo do homem
Em corpo são
E mente sã
Pilantragem
Não é morder a maçã
Malandragem
Não fuma gudang
Diria a loja ao terreiro
Na banda mais vale ser guerreiro
Que julgar-se o Kãn
Seu lesma estava lento
Pegou carona no vento
E tornou-se campeão
O tempo era seu alento
Embora nem sempre atento
Pôs o peixe no pão
O porco tocava banda
O pato contava histórias
Para boi dormir
O touro estava sentado
Com o Leão do lado
E o cordeiro a sorrir
Eram tantos zombeteiros
Engolindo sapos
Como elixir
Encantada barata
Nem mie; Nem lata
Nesta apaixonada ata
Quem não é cara
Destrata
Oh cabra preta
Enquanto uso a caneta
Não me faça careta
Hórus, Marduk, Dionisio
Krishna, Odim, Ternurius
Apolo
Também sabem a etiqueta
Venha provar o chimas
Ou te como a brusqueta
À FRENTE
A volta por cima
O pulo do gato
O nome nos livros
Corridas d'rua
Medalhas ao ato
Pelo mérito próprio
Passando a encruzilhada
Onde fui deixado
A fazer o pacto
O diabo queria fumar
O diabo queria beber
Mas o céu mostrou-me a verdade
Ar puro
Luz diurna
E sobriedade
Mais que gelo no Whisky
Ou amor pela cidade
Eis o mundo em que vivo
O próprio inferno e o paraíso
Do limão à limonada
Ainda estou na estrada
Ao caminho
Sempre em frente
A jornada
Olho no peixe,
Olho no gato
Ora, o peixe fugiu
O gato miou
O cão latiu
O lobo uivou
À desgarrada
Ovelha
Oh velha
Entenda isto
O poeta
Ao pastoreio
Sangue no olho
Faca na bota
Verso na agulha
Tiro no pé
Eram felizes e não sabiam
Queriam algo além do que tinham
Trocaram tudo por pouco mais que nada
Esqueceram o limão à limonada
Já nem lembram o que foi bom
Mas ainda ouvem o velho som
O pássaro ao despertar do dia
O rock, a magia e alquimia
Nem tudo é como a gente quer
O garfo aprende a escolher a colher