DESCARREGO
Desmonto
Destrato
Descarrego
Desfumo
Desbebo
Está escrito
Digo o que vejo
Olhos abertos
Ouvidos atentos
Enquanto pelejo
ZELADOR D'SANTO
Oh Pai Divino;
Único Santo
Zelo esta linha
Como zela-se o pão
Como zela-se o pássaro
O touro, o cavalo e o cão
Como zela-se o peixe, o lobo e o leão
Como zelam-se as flores, o ar e o brasão
Como zela-se o sangue, o raio e o trovão
Zelo esta linha
Como zela-se o sim e o não
Como zelo o Cordeiro
Ao zodíaco inteiro
No coração
LIVRE
Liberto-me das amarras
que o diabo tramou
No dia-a-dia,
a hora chegou
Livre das trevas
às claras
Quem sou
O machado rompendo correntes
Chuva, raio e trovão
O segredo guardado na alma
cumprindo a missão
Mantendo a calma
glória na guerra
honra à nação
MUNDO PUNK
Mundo punk
Vinho e cigarros
O abismo mostrado
Frente ao escarro
Carta branca
Carta fora do baralho
A fumaça na praça
O orgulho no trabalho
As tribos
e o caminho cruzado
pelos velhos sonhos trocados
nem tudo estava certo
nem tudo estava errado
O fumo está no mercado,
assim como a canha,
sendo negociado
Pelos velhos sonhos trocados
Na encruzilhada, a sacada
ao povo desarmado
ao tempo livre
esgotado
Toca Raul,
disse Saul,
ao som tocado
Mundo punk
Vinho e cigarros
O abismo mostrado
Frente ao escarro
Feito a caça
O que quer que vos faça,
Quanto à cachaça?
Exu foi contratado
Caboclo sabe assoviar
Nada estava errado
Até a mesa virar
Certo é o que digo
Sei o que preciso
Em frente
Irei buscar
Buscado este 'estado'
D'espirito ou d'consciência
Até que seja atendido
O quanto antes,
A preferência
DESCARREGO
Caminhando
ao descarrego
desfumo
e desbebo
desmonto
e desvelo
destrato
e desmancho
o novo
e o velho
Recriado espelho
na terra escrevo
no ar recito
no céu, escrito
o texto
Pretexto que diz
ao mestre e aprendiz
Ao mago iniciado
o mundo encantado
CAVALEIRO JUSTO
Montado sobre ninguém
Desconheço nenhum
Embora somos um
O preto no branco
é cinza
Ao Zero
o ferro relincha
Ao Mago
o machado uiva
Ao Mestre
o texto ruge
a pura seiva
Ao Deus d'Guerra
Os trabalhos na Terra
Eu Sou está conosco
Face a face, no rosto
ou no olhar
À fé
A gente é
Axé
DESTALHO
Ao trabalho
ou retalho?
Corra
ou morra
no talho
A fumaça
é trapaça
que está no baralho
Caralho?
Cascalho?
Alho ao vampirismo
Ao confucionismo
Ao ficcionismo
Ao fetichismo
Estamos aqui
no mar das ideias
sangue nos olhos
éter nas veias
Quando baixa o velho
A velha banda aparece
Como entidade terrena
A ouvir o mestre dizer
'O Novo Sou Eu'
Tal como pensar diferente
Para evitar julgar-se igual
Ao oposto
Ao contrário
Nem o mesmo
Ou o tal
Dia a dia, com certeza
Ano a ano, vira a mesa
Acabou
Este é o início
Como ciclo
Sazonal
Elipses
Na espiral
Sempre em frente
Toda a vida
Chegada
E despedida
Juntos
Um só
Como o filho que tornou-se pai
Já agora
Irmão lobo
Cá estamos
Porta a dentro
Neste encantado
Momento
Sem entrada
Sem saída
Na jornada
A vida
Na magia
O axé
Mais em conta?
Não tem preço?
O quanto antes?
Diria o lobo do homem
Em corpo são
E mente sã
Pilantragem
Não é morder a maçã
Malandragem
Não fuma gudang
Diria a loja ao terreiro
Na banda mais vale ser guerreiro
Que julgar-se o Kãn
Seu lesma estava lento
Pegou carona no vento
E tornou-se campeão
O tempo era seu alento
Embora nem sempre atento
Pôs o peixe no pão
O porco tocava banda
O pato contava histórias
Para boi dormir
O touro estava sentado
Com o Leão do lado
E o cordeiro a sorrir
Eram tantos zombeteiros
Engolindo sapos
Como elixir
Encantada barata
Nem mie; Nem lata
Nesta apaixonada ata
Quem não é cara
Destrata